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21.2.17

Resenha - Wicked


Wicked – Gregory Maguire 


Editora: Leya
Preço: 29,90 à 54,90
Sinopse: Você nunca mais vai enxergar Oz da mesma forma. Quando Dorothy se vê diante do desafio de derrotar a Bruxa Má do Oeste, no clássico Mágico de Oz, vemos a história se desenrolando pelo lado da heroína. Mas e a história de sua arqui-inimiga, a misteriosa bruxa? De onde ela surgiu? Como se tornou tão perversa? Em Wicked, Gregory Maguire revela tudo isso por meio de um mundo fantástico tão rico e intenso que você nunca mais vai olhar para Oz da mesma forma. Viajando por uma terra encantada, descobrimos todos os detalhes da história dessa garota de pele verde que cresce em meio a desafios e preconceitos, até se tornar uma bruxa infame? Uma esperta, irritadiça e incompreendida criatura que desafia todas as noções sobre a natureza do bem e do mal. Recriando com riqueza espantosa o mundo de Oz, este livro conduz o leitor à inesquecível estrada de tijolos amarelos, atravessando um mundo fantástico repleto de conflitos e transformando de maneira surpreendente a reputação de um dos mais sinistros personagens da história da literatura. 

Wicked conta a história de Elfaba, conhecida posteriormente como Bruna Má do Oeste, que nasceu, fruto de um adultério, com uma peculiaridade: a tom de sua pele é verde. O que o livro decide nos contar, então, é como isso fez a protagonista ser quem ela é, formando o seu caráter, e sendo responsável por muitas das suas atitudes ao longo do livro. 

[...] Babá foi incapaz de chegar a uma poção branqueadora da pele. Banhar a criança em leite de vaca também não deixou a pele branca.

Temos a história divida em seis partes: Munchkins, Gillikins, Cidade das Emeraldas, Nos Vinkus e O assassinato e a vida após a morte; em cada uma delas, poderemos ver uma parte diferente da vida de Elfinha, às vezes, focada em outros personagens. 

Munchkins 
Veremos o nascimento e a infância da Bruxa, sua criação com a mãe, Melena, que se mostra insatisfeita com a vida que leva com o marido Frex, e suposto pai de Elfaba, que é um pastor, que acredita fielmente que a filha é a forma de seu Deus Inominável puní-lo pelo seu descuido no dia do seu nascimento. Temos também Babá, que é a verdadeira cuidadora da criança, com quem se preocupa muito, dando-lhe uma educação e instigando-a a crescer e aprender; por último, nessa primeira parte, conhecemos Coração de Tartaruga, um Quadling, que ensina toda a família quem o Mágico é de verdade. 

Gillikins 
Nessa parte conhecemos a vida de Elfaba durante a faculdade de Shiz, onde ela faz alguns amigos e conhece melhor como é a política de Oz, estudando sobre os Animais – seres inteligentes, que começam a ser segregados e expulsos da cidade, obrigando-os a agir como animais – e a sociedade.  
É nesse momento que conhecemos Galinda ou Glinda, a Bruxa Boa, colega de quarto da protagonista e suas amigas Shenshen, Milla e Pfannee, Boq, um garoto da faculdade vizinha que se apaixona pela Feiticeira e seu amigo Avaric, os amigos Tibbett e Crope, e por último, Fiyero, um príncipe arjiki que, nesse momento, não tem muita importância. Conhecemos um pouco mais da vida de Elfaba, tomando conhecimento de sua irmã mais nova, Nessarose, que é tão singular quanto ela.

– O que vocês acham que Madame Morrorosa quis dizer quando fechou aquela Brandura com o epigrama “Animais devem ser vistos e não ouvidos” – perguntou o Bode de maneira sucinta.


Esse pedaço da história também e o responsável por mostrar à Elfaba tudo o que o governo do Mágico tem feito de errado, e o quanto ela não concorda com as medidas que ele têm tomado, principalmente em relação aos Animais. É possível perceber que, nesse momento, ela começa a formar opiniões subversivas e um pouco radicais. 

Cidade das Esmeraldas 
Nesse momento, a protagonista já está for a da faculdade, e percebemos que ela continua com a sua opinião contra as políticas implantadas pelo Mágico. Essa parte é aquela que me fez pensar mais em como existe uma crítica verdadeiramente dura no livro, e que ele será sobre muito mais do que Dorothy e a Bruxa Má do Oeste.  

“Trabalhem em equipe – vocês são doze e ele é apenas um. São suas diferenças entre si que os mantêm dóceis? Ou há parentes lá dentro que serão torturados se vocês tentarem escapar?”

Fiyero volta a aparecer, e torna-se um personagem importante, mostrando ao leitor a visão de uma pessoa que, inicialmente, não consegue perceber todos os abusos cometidos pelo Governo, e que passa a ter uma visão mais critica sobre isso. É aqui que percebemos, também, que alguns dos personagens iniciais tornaram-se um pouco mais rasos, e que eles podem ser os verdadeiros vilões. 

No Vinkus 
O início mostra-nos uma Elfaba muito diferente do que ela sempre foi, mais calma, menos critica, e mais ligada com questões interiores; esse é o momento em que ela percebe que precisa ser perdoada por atitudes impensadas que tomou no passado, e que causaram estragos na vida de muitas pessoas. É por isso que ela decide ir para Kiamo Ko, onde Fiyero vivia com a esposa Samira, suas irmãs, e os três filhos, Irji, Manek e Nor. Conhecemos também o jovem Liir, um garoto que acompanha a garota verde, e que procura, de alguma forma, descobrir quem é seu pai. 

– E lá a velha Bruxa má ficou por um bom tempo.– E algum dia ela saiu de lá?– Ainda não.

Durante essa viagem, ao conhecer a princesa Nastoya, a persongem consegue perceber o motivo pelo qual tem vivido, e pelo o que ela precisa lutar: depois de tantos anos terem se passado, política e governo não lhe interessam mais, e tudo o que ela precisa é de paz interior. Vemos outro lado da personagem que não havia aparecido antes, com mais remorso e menos raiva. 

O Assassinato e a vida após a morte 
Dorothy finalmente aparece, vindo com um tornado, dentro de uma casa, e matando sem querer a Bruxa Má do Leste – como Nessarose passou a ser chamada.

[...] do lado de fora de uma capela local, Nessarose estava distribuindo prêmios por comparecimento perfeito às aulas de educação religiosa. A tempestade derrubou uma casa na sua cabeça.

Voltamos a ver um problema político nesse momento, com partes de Oz se separando, e uma possível Guerra Civil dentro da cidade. Enquanto isso acontece, Liir, Babá e Elfaba ainda estão em Kiamo Ko, tentando resolver seus próprios problemas.  
A Bruxa Má do Oeste finalmente cruza o caminho de nossa doce Dorothy quando descobre que a menina ficou com os sapatos de sua falecida e irmã, e decide que quer tomá-los de volta, como uma lembrança de sua família. Algumas lacunas finalmente são completadas nesse momento da história, e ficamos sabendo o fim que levaram alguns dos personagens, ao mesmo tempo em que outros enredos são adicionados. 
Mágico, por fim, conta o motivo de ter ido para Oz, apesar de eu não ter entendido o porquê de ter desistido do que procurava tão fácil, e vemos Elfaba finalmente se vingando de antigos inimigos, se esquecendo, por um momento, dos sapatos da irmã.  

O desfecho dessa história é nada menos do que emocionante, com um embate surpreendente entre Dorothy e a Bruxa Má do Oeste. Apesar disso, senti falta de algumas respostas, sobre o Espantalho e o Homem de Lata, mas também sobre alguns dos personagens mais importantes, que apesar de terem sumido com algum motivo, não houve uma resposta real, apenas suposições. 
O livro, para mim, mostra quem a Bruxa era de verdade – que de bruxa não tinha muita coisa -, e que, as vezes, alguém é colocado como vilão apenas porque está contra aqueles que consideramos os "bonzinhos" da história, mas que, muitas vezes, não há um motivo real. Durante o decorrer das páginas, esperei pelo momento que faria com que ela fosse se mostrar uma grande vilã, e o motivo do seu título é totalmente inesperado. 
O livro fala sobre muito mais do que uma menina e seu cachorro contra uma bruxa verde. Fala sobre preconceito, sobre raças, sobre corrupção. A historia conta muito mais do que parece. Porém, apesar de falar sobre tanto, achei que as coisas acontecem muito lentamente, e mesmo as partes que poderiam ter mais ação, se tornaram teóricas e, por vezes, cansativas. A leitura vale a pena, mas é necessário um esforço em alguns momentos. 

Para aqueles que chegaram a ver ou a ler sobre o roteiro ou resumo da peça inspirada no livro: leia-o com a mente aberta, sem esperar por nada daquilo; existem mais diferenças do que semelhanças, apesar de eu não saber dizer se isso foi positivo ou negativo. 
O livro já foi lançado uma vez, pela Companhia das Letras, com o nome Maligna, tendo até mesmo a continuação, O Filho da Bruxa. 

Nota: 4,0/5,0

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