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25.2.17

Resenha: As Intermitências da Morte - José Saramago


Alguns livros nós precisamos falar com calma e por partes. E este livro com total certeza é um deles.
Primeiro: Sobre o autor. José Saramago foi um escritor português, ganhador do prêmio Nobel de 1998, e também ganhador do Prêmio Camões (o maior prêmio literário da língua portuguesa), seu livro mais aclamado é o Ensaio sobre a cegueira (1995).
Segundo: O resumo da obra em questão. Falar sobre a morte não é fácil e nem sempre agradável, isso praticamente é senso comum. Agora, imagine que ela tirou férias, e dessa maneira de repente em um pequeno país, ninguém mais morre. Parece algo maravilhoso, pois muitos de nós adorariam ser imortais. Mas não, Saramago com o seu modo único de narrar, vai descontruindo e nos mostrando todos os pontos negativos que se desencadeariam caso algo do tipo ocorresse. Vemos uma sociedade num caos, assim como Saramago nos revela em Ensaio sobre a cegueira, o autor parece ter o dom de nos descrever o pior do ser humano e do que ele é capaz em busca de sobrevivência e de seus próprios interesses. A segunda parte da trama está em volta da morte, sim, aqui ela é um ser personificado como o trecho a seguir descreve:
Trecho de degustação: “Salvo alguns raros casos, como os daqueles citados moribundos de olhar penetrante que a enxergaram aos pés da cama com o aspecto clássico de um fantasma envolto em panos brancos ou, como a proust parece ter sucedido, na figura de uma mulher gorda vestida de preto, a morte é discreta, prefere que não se dê pela sua presença, especialmente se as circunstâncias a obrigam a sair à rua. Em geral crê-se que a morte, sendo, como gostam de afirmar alguns, a cara de uma moeda de que deus, no outro lado, é a cruz, será, como ele, por sua própria natureza, invisível. Não é bem assim. Somos testemunhas fidedignas de que a morte é um esqueleto embrulhado num lençol, mora numa sala fria em companhia de uma velha e ferrugenta gadanha que não responde a perguntas, rodeada de paredes caiadas ao longo das quais se arrumam, entre teias de aranha, umas quantas dúzias de ficheiros com grandes gavetões recheados de verbetes. Compreende-se portanto que a morte não queira aparecer às pessoas naquele preparo, em primeiro lugar por razões de estética pessoal, em segundo lugar para que os infelizes transeuntes não se finem de susto ao darem de frente com aquelas grandes órbitas vazias no virar de uma esquina. Em público, sim, a morte torna-se invisível, mas não em privado, como o puderam comprovar, no momento crítico, o escritor marcel proust e os moribundos de vista penetrante.” (SARAMAGO, pag.145, 2005)
Terceiro: O modo de escrita. Não, não é nem um pouco fácil ler os livros do autor em questão, ele segue a ortografia da maneira que o convém, os parágrafos são extremamente longos, os diálogos estão no meio deles, e muitas vezes fica-se confuso quando acaba a narração e inicia-se a fala de alguém. Ele não nomeia ninguém, e nem o país onde se passa a trama. Ou seja, os acontecimentos descritos podem ter ocorrido em qualquer lugar e com quaisquer pessoas.  E como já disse no tópico anterior, ele cria histórias pesadas e perturbadoras, pois envolvem sobrevivência e o pior lado do ser humano. Ou seja, tempos uma dupla dificuldade, seu modo de escrita e a história em si. Mas relaxe os mais teimosos, quando se acostuma com esse jeitinho peculiar de narrar, fica mais fácil, e ironicamente fica difícil de largar o livro. Outro ponto a ser destacado: ele foi trazido ao Brasil com o português de Portugal, fato que não incomoda tanto.
Quarto: Informações adicionais.  Seus livros no Brasil são editados e vendidos pela Companhia das Letras, e também podem ser encontrados em edições de bolso, As Intermitências da Morte pode variar de 35,90 a 44,90, tanto em livrarias físicas como online.
Quinto: Vale a pena? Pois digo que sim, é um livro desafiador que requer atenção redobrada, um dicionário do lado, e muita paciência até se acostumar com a narrativa. A obra cumpre seu papel de nos tirar da zona de conforto, de perturbar, refletir e surpreender.

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