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10.11.16

Resenha para Quando a Selva Sussurra – Contos Amazônicos


 Como passei dos trinta anos, toda referência folclórica aprendida na escola, ficou muito vaga em minha memória. Lembro que aprendi sobre o saci-pererê, a mula-sem-cabeça, o caipora ou curupira e algumas outras como Iara e Uiara. Como disse, nada muito profundo em minhas lembranças, talvez por conta do tempo que já se passou desde aquela época. Até mesmo as lendárias séries baseadas nos livros de nosso muito querido Monteiro Lobato, ficaram para trás.

Quando estive na Bienal do livro aqui em São Paulo, que vocês podem ver minhas impressões clicando aqui, fiquei deveras feliz em ver que, existem várias publicações nacionais utilizando de nossos contos e folclores regionais. Lamento muito, que grandes editoras não tenham tanto interesse nesses assuntos, deixando cada vez nossas bonitas e muitas vezes sinistras estórias, de canto. A Editora Lendari, que estava entre as editoras e escritores independentes, é uma das que apostou nisso.

Com uma antologia que contém 22 contos amazônicos, de diversos autores da região, a edição de Quando a Selva Sussurra está impecável. Sua capa é de muito bom gosto, seu texto muito bem escrito e editado, assim como a diagramação, fazendo com que esse seja um livro impecável, onde não se encontra defeitos. E apesar de sempre ler muitas críticas literárias que detonam livros nacionais, principalmente de autores iniciantes, creio que o conteúdo é sempre mais importante e valorizar o território nacional, é um dever de quem gosta de ler e principalmente realizar tais resenhas.

Lendas como a de Mapinguari, a árvore dos cânticos, Macunaíma, as guerreiras Icamiabas e o Muiraquitã, que era uma espécie de talismã, são descritas de diversas maneiras diferentes pelos autores e confesso, que ao ler esse livro, me enchi de orgulho das estórias, e que na sua maioria, eu as desconhecia. Temos um folclore tão rico, com estórias fantásticas, dignas de filmes de Hollywood. Essa mesmo das guerreiras, foi uma das que me surpreendeu demais, mas não contarei aqui o que acontece com as Icamiabas, para que você leitor, possa se deliciar lendo o livro.

O Curupira ou Caipora, também é citado em alguns contos, sendo inclusive protagonista em uma ficção policial. Boiúna, teve seu espaço garantido, assim como os Ahiãg, que são espíritos dos Suanam, mortos na floresta que não tiveram direito à sepultura, tornando-se demônios errantes. Muitos já devem ter ouvido falar dos filhos de boto, que se apresentam para as mulheres como homens bonitos, cheios de mistérios, que procuram mulheres em bailes e as engravidam. Tem também a Suindara, que é uma bruxa que se apresenta na forma de uma coruja. O Anhangá, Boró e Curó. Iara, que era uma espécie de sereia e Uiara que é sua versão masculina.

Um dos que mais gostei, mas digo que não é melhor do que o restante, fala de dois mundos e trata de uma narrativa que envolve a lenda de Mapinguari ao ponto de vista indígena e o espírito da mãe natureza, pelo ponto de vista de um extrator de madeira ilegal. Assim como os outros, ele é envolvente e cativante, fazendo que a gente sinta a emoção pelos dois pontos de vista. Outra passagem que também adorei, foi o conto O Que o Fogo Nos Deu, que Jan Santos nos presenteia com a estória do surgimento de uma lenda, no caso a explicação de como apareceu um ser lendário (que não revelarei qual, para não perder a graça) de maneia que me sinto em uma roda, em volta de uma fogueira, com indígenas e o chefe da tribo contando-me o caso.

O livro cita vários rios importantes, como o Solimões e as lendas que o envolvem, como a Tuluperê (mãe de todas as cobras). Trata da estória de Martina-Perera, com sua pinga e o cigarro, de Araciara e seu choro, que vira um canto, de Iauaretê e também o beijo de Cruviana, ou a deusa do vento.

Recomendo que todos leiam esse livro, que não quero ser redundante em dizer, que está muito bem escrito, diagramado e com ótima edição de texto. Para quem gosta de literatura nacional, principalmente de contos, lendas e folclores, não irão se decepcionar, ao contrário, certamente vão se surpreender com tantos autores bons, reunidos em uma única antologia.



Um pouco sobre Alessandro Bortoleto Rodrigues:



Bacharel em Desenho Industrial, com habilitação em projeto do produto e pós-graduado em Gerenciamento da Qualidade, possui um livro de ficção pós-apocalíptico lançado pela Chiado Editora, chamado O Terror Depois de Tudo, que em breve estará em todas as livrarias do Brasil e Portugal.



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