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25.11.16

Elis





Elis Regina é uma dessas artistas fadadas a entrarem para a história, além de ser dona de uma das vozes mais marcantes da musica do século vinte ela teve o privilegio de surgir num dos períodos mais interessantes da história do Brasil, o golpe de 64, a bossa nova, o tropicalismo, o surgimento da MPB e ainda ser contemporânea de nomes da musica como Vinicius de Moraes, Tom Jobim e tantos outros, nesse contexto político e artístico Elis surge como uma das melhores cantoras da sua época não apenas por causa de sua poderosa voz, mas suas interpretações sempre carregadas de uma dramaticidade visceral a tornaram uma das melhores cantoras de todos os tempos.

Coube ao diretor Hugo Prata que também divide o roteiro com Luiz Bolognesi e Vera Egito, traçar a trajetória dramática da cantora, o filme Elis não é a primeira cinebiografia de artista feita no cinema nacional, depois de Cazuza o Tempo Não Para de 2004 e Tim Maia de 2014, já era tempo de se aprender com alguns erros do passado. O filme segue uma formula muito usada nas novelas globais onde se precisa contar uma história em duas fases, se na TV apesar de batida esse tipo de recurso soa como sofisticado, no cinema esse recurso não funciona, o filme sofre com uma falta de linearidade temporal, os eventos mostrados não parecem seguir uma sequência lógica, mesmo se a narrativa fosse mostrada de forma episódica poderia ser bem mais coerente se a linha de tempo fosse respeitada, existe quase uma necessidade de se usar a musica como alivio narrativo e  recurso temporal. O roteiro se preocupa quase que exclusivamente em mostrar os relacionamentos e algumas cenas de bastidores de shows e o contexto histórico é tratado de forma quase que tangencial e sem maior profundidade, salvo alguns problemas com a ditadura, mas tudo sempre mostrado da ótica dos personagens e nunca de um panorama mais abrangente, 

 A interpretação de Andreia Horta, tem um brilho a parte, ela encarna bem o carisma da cantora quando jovem , mas esse mesmo carisma não a acompanha com o decorrer da história, apesar de uma incrível  semelhança física, sua interpretação não tem a mesma força nos momentos mais dramáticos da vida da cantora. Caco Ciocler se esmera em sua interpretação do pianista César Camargo Mariano, em algumas cenas ele mesmo toca o piano, mesmo o ator não sabendo dominar o instrumento, o resto do elenco não se destaca com uma pequena exceção do talentoso Júlio Andrade interpretando o coreografo e cantor Lennie Dale. 

Contar a história de uma artista tão importante como Elis Regina, com tantos contextos históricos, sociais e artísticos, além é claro dos seus profundos dramas pessoais não é tarefa para qualquer um, difícil de fugir de algumas estéticas e formulas já estabelecidas e de fácil digestão do publico comum tão acostumados com produções novelescas, porem o longa não chega a ser uma obra desmerecida em relação a importância de uma das grandes artistas do nosso tempo, mas ainda sim a musica o redime de muitos erros, sim o filme não faz justiça a cantora Elis, mesmo o filme sendo bem melhor quando sua musica é mostrada. Bom.     

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