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28.11.16

CRÍTICA - 3% É UM TAPA NA CARA DO COMPLEXO VIRA-LATA




    Um olá para você que passa o dia e a noite absorto na Netflix nos estudos para conseguir passar no vestibular! Um tudo bem para você que está preocupado com sua nota no ENEM. Bora falar de coisa boa? 
    Na última sexta-feira (25 de novembro), estreou na Netflix a primeira série 100% brasileira do ser:viço de streaming: 3%.  Baseada em uma websérie homônima exibida no YouTube com piloto de 3 capítulos, a série "3%" mostra um Brasil pós-apocalíptico, depois de diversas crises que deixaram o planeta devastado. Numa Amazônia desértica, a maior parte da população sobrevivente mora no Continente, um lugar cheio de pobreza, onde falta água, comida, energia e vários outros recursos.
    Aos 20 anos de idade, todo cidadão tem direito de participar do Processo, uma seleção que oferece a única chance de passar para o Maralto, onde tudo é abundante e há oportunidades de uma vida digna. Mas somente 3% dos candidatos são aprovados no Processo, que testa os limites dos participantes em provas psicológicas e os coloca diante de dilemas morais. 
    Sei que 3% pode parecer mais do mesmo, mas antes de fazer minha crítica, digo que você precisa dar uma chance para a série. Há uma grande parte dos brasileiros que alimenta o pensamento de que tudo o que é produzido no Brasil é um verdadeiro (palavras deles, não minhas) lixo. Evidente que somos um país que sofre com a corrupção e o desrespeito, mas quando alguém aponta apenas o lado negativo das coisas, bom, o lado bom é soterrado pelos defeitos. 
    Queria tocar nesse assunto porque vi comentários nas redes sociais  depreciando 3% de uma forma absurda. Brasileiros que ainda não assistiram a série e não conseguem ver seu próprio potencial, alimentados pelas superproduções americanas e pela cultura deles também. Não que isso seja algo inteiramente ruim, mas vai de acordo com a opinião de cada um. Fica a dica esse maravilho post aqui do site para quem se interessou mais pelo assunto, basta clicar aqui
    Mas agora, as partes técnicas: 
    O que me chamou a atenção desde a primeira cena foi a fotografia da série. O branco asséptico em contraste com as cores azul, amarelo e vermelho em tons escuros. A atmosfera remete muito a produção nacional Cidade de Deus e também a filmes como O Guardião de Memórias e Divergente. Depois de uma curta pesquisa descobri que o diretor de 3% é o indicado ao Oscar pela fotografia de Cidade de Deus, César Charlone. Com certeza ele deu seu toque especial ali. E disso eu não posso reclamar. O visual da série ficou incrível. 
    O grande problema realmente foi a caracterização dos personagens. Pelo menos dos habitantes do Continente. Limpos demais, bonitos demais e as roupas excessivamente rasgadas. Aquele tipo de fantasia que você faz na sua casa e que fica legal mas não perfeita. Outra coisa também que tirou um pouquinho dos pontos da série foram alguns cenários onde você conseguia ver o papel pedra gritar por uma função melhor. Foi um servicinho meio porco dos figurinistas e cenógrafos. No geral é o que mais incomoda. 
    Na questão de atuação, tiveram bons e maus momentos. Atuações nível Malhação e atuação nível Novela das Onze. Os atores principais como o João Miguel e a Bianca Comparato brilharam, assim como a Mel Franckowiak que surpreendeu e a Vaneza Oliveira (essa arrebentou!). 
    Agora o ponto alto mesmo foi o roteiro em conjunto com os personagens. Membros mais importantes em qualquer produção. Não posso chamar essa história de original, principalmente quando as pessoas resolvem comparar qualquer distopia com os notórios Jogos Vorazes (franquia que ainda é um fenômeno, mas que se tornou uma referência injustamente). Vai ler um George Orwell, vai! 
    Enfim, a trama apresentou reviravoltas mirabolantes e que me deixaram de queixo caído (coisa que é bem difícil). O primeiro episódio teve um plot-twist que fez meu coração parar e o segundo então... tirou meu ar! Palmas para o criador de 3%, Pedro Aguilera! Os personagens super bem escritos, verdadeiros, humanos. Nem bons e nem maus, do nosso jeitinho.

    Então se quer saber mesmo, eu indico 100% 3%. Indico porque é uma série

que apesar dos problemas técnicos, surpreendeu por ser tão bem escrita e bem interpretada. Bem dirigida. Dê uma oportunidade para 3%! Veja as referências a nossa ditadura militar durante o enredo, o debate sobre a meritocracia e lembre-se: Você é o criador do seu próprio mérito. 



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