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1.10.16

Resenha: A Visita Cruel do Tempo- Jennifer Egan


Alegam os poetas que, ao adentrar alguma casa ou algum jardim onde moramos quando jovens, reencontramos por um instante aquilo que já fomos. São peregrinações muito arriscadas, que produzem em igual medida sucessos e desilusões. Esses lugares fixos, contemporâneos de outros anos, é dentro de nós mesmos que mais convém encontrá-los.

Marcel Proust, Em busca do tempo perdido


Um dos melhores livros que tive a oportunidade de ler neste ano de 2016. Apresento-lhes algo simples, mas escrito de maneira espetacular.
Esqueça-se de todas as formas de narrar uma história que você já viu. E espere por algo novo e original. É isso o que podemos conferir nessa obra de Jennifer Egan. A maneira com que este livro foi escrito faz com que seja extremamente complicado falar sobre alguma sinopse dele. Primeiro porque a história não tem protagonista. Perdão, tem sim, e é o próprio tempo.
Podemos conferir em determinada medida, o decorrer da vida de um conjunto de personagens que vão se interligando de maneira sutil. A narrativa vai e volta no tempo, e essas mudanças se dão de maneira tão leve que não incomodam e não trazem um baque no leitor. Podemos ver o quanto o ser humano cresce, amadurece e vai se modificando, sendo como Raul Seixas dizia, uma metamorfose ambulante, e que nem sempre as amizades são tão eternas como gostaríamos que fossem. E que nem sempre as coisas acontecem como queremos.
Pelo grande número de personagens fica impossível não criar empatia por algum. A partir deles é se possível ver e compreender o título: “A Visita Cruel do Tempo”. A trama flui em pequenos capítulos que vão costurando entre si, sem deixar pontas no final.
Não espere por fantasia, por grandes atos de superação, grandes acontecimentos e reviravoltas de tirar o fôlego. Espere por nada mais do que a própria vida, o dia-a-dia e a trajetória de pessoas que como nós, recebem a Visita Cruel do Tempo.
Ganhador do Prêmio Pulitzer de 2011, e publicado pela editora Intrínseca no Brasil, este livro conquista fácil pela sua delicadeza e nostalgia que nos faz refletir sobre o que estamos fazendo com nossas próprias vidas e quais rumos elas estão tomando.

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