NOVIDADES

4.10.16

Carla Póvoa
Pablo, o cigano do ouro


Resenha / Romance

 “Guiada por esse prisma, pude ver que a vida tem seus mistérios, que cada pessoa que chega nela tem seu sentido, sua função, sua notariedade. Tantos caminhos podem ser traçados e cruzados sem que possamos saber o sentido deles. No entanto, em algum momento, eles tomarão seu significado.”  -> Grande mensagem escrita pela autora, um dos meus trechos preferidos do livro, logo na sua introdução.

Ao falar de musica e dança, duas paixões dos ciganos, já me ganhou como leitora, a musica é um dos combustíveis na minha vida.

Na página 18 a autora descreve o vinho de uma maneira que me apeteceu prová-lo e olhem que nunca bebi vinho.

Existem diversos personagens no inicio do livro, vou falar nos mais marcantes para mim : Setros, Boris, Pablo, Sarita e Amariles.

Setros é o defensor da tribo, tudo passava por ele, mesmo os desentendimentos entre os ciganos. Ele era quem os ensinava, sua esposa Carmela era misteriosa (“… nem mesmo seu esposo tinha conhecimento do que ali ela escondia…”), no decorrer da história o leitor fica a saber o que é.

Boris, tinha paixão por violino, poesia e armas (“seu outro passatempo.”), este é um dos meus personagens preferidos, a autora podia escrever um livro acerca dele, pois apareceu menos vezes do que as que eu queria (“vimos” Pablo a banhar-se nu, mas Boris não kkkkk).

Pablo, filho do líder, Marco, e futuro líder, mesmo só tendo 15 anos (“Mantinha uma pequena barba torneada em seu queixo e metade do rosto…”). Manipulava diversos tipos de ervas (“Estudava os componentes das ervas e as testava em si mesmo…) e metais, por vezes curava algumas doenças raras. Tinha muitos amigos, mas também inimigos. Não admitia que desonrassem as tradições do seu povo. Havia quem o procurasse por conselhos.

Sarita, sua prometida desde que nasceu (“… arredia e estranha…”). Gostei dela, é das minhas, criativa como eu, até na maneira de vestir, identifiquei-me com ela.

Amariles uma das melhores dançarinas daquela tribo (“Hoje ela está particularmente linda…”), detesto-a.

Na página 23, até eu tive que olhar para aquele céu tão lindo. O povo cigano preza o contacto com a natureza e isso é muito bom.

No final desse capitulo e em mais alguns capítulos posteriores, surgem acontecimentos que  dão novos rumos às vidas dos ciganos e os vão fazer deixar de ser tão livres, uma das coisas da vida que o povo cigano preza muito, assim como eu, a liberdade (sou aquariana e está tudo dito). Mais uma coisa que tenho em comum com os ciganos, para além da natureza, musica e dança.

Na página 31 apeteceu-me bater numa personagem metida a besta. Quando finalizei o capitulo continuei a querer dar-lhe umas palmadas. No capitulo 4 também e na página 86 e 102 igual.

Mas enganem-se os leitores, esta história não tem só ciganos, “Em um dos quartos estava Alexandre, um tenente honrado e respeitado na academia.”

Alexandre um dos meus personagens favoritos do livro, preocupado com a saúde da mãe. Seguiu as pisadas do pai que também fora do exército (“O pai era para ele um grande exemplo.”). Gostei da cena em que ele e Pablo se conhecem.

Na página 60 apeteceu-me tomar aquele café descrito pela autora e eu nunca tomei café.

O inicio do Capitulo 7 mostra-nos mais uma filosofia de vida do povo cigano.

A autora está sempre a criar novos personagens, o que é bom: Izalon, Tamires, Julio, Suzane e João (simpatizei com este personagem e sou capaz de bater em quem lhe faça algum mal), são alguns exemplos.

Na página 103 um deles deu-me uma raiva.

No capitulo 10 há uma reviravolta devido a um mau elemento.

No capitulo 11 uma das personagens que não gosto vai ter algumas lições, não posso dizer é se essa pessoa vai mudar.

Que pena que tive de um personagem na página 181.

Na página 188, 189 e 191 vieram-me lágrimas aos olhos.

Uma das mensagens que a autora passa com esta história é que a amizade tem de estar acima de qualquer desejo. Tem muito bons conselhos: “O respeito aos mais velhos, às tradições…”; “calma e tranquilidade para resolver os assuntos”.

Fiquei a saber qual a padroeira do povo cigano e alguns costumes que não conhecia, muitos deles bem interessantes.

Os melhores quotes:
1 – “Seu corpo acompanhava o som como se estivesse ligado a ele, balançava num ritmo sereno e apaixonado, sensual, como a representar o que a poesia da letra dizia.”
2 – “Seu porte altivo se fazia imperar até mesmo sem roupas e cada músculo delineava-se inteira e potencialmente.”
3 – “A cigana se projectava para o rapaz e enroscava seu corpo no dele como um gato, alisando-se em sua pele, acelerando a pulsação do jovem.”
4 – “Seu cheiro me faz bem, seu corpo me completa. Ser fiel a partir de hoje vai ser uma meta minha, mais forte do que uma promessa.”
5 – “A saia estampada era viva e contornava bem seus quadris, a blusa de mangas fofas deixava à mostra seus ombros e colo, fazendo sonhar alguns jovens ciganos…”


Aconselho a ler, principalmente para quem queira conhecer os costumes ciganos e o valor que se deve dar à família.


ESPALHA PROZAMIGO:

QUEM ESCREVEU:
\

Post a Comment

 
Back To Top
Copyright © 2014 Armada de Escritores. Designed by OddThemes