NOVIDADES

3.10.16

A cultura das"grandes" literaturas-fumaça


    Em meus últimos escritos, tive, por principal temática, o longo declínio humano advindo com a "grande modernidade" e com o despontar de destrutivas correntes de "pensamento", tais como o marxismo, a "Revolução Cultural" gramsciana, o socialismo fabiano e o liberalismo. Dentre todo esse fúnebre caos que se funde com a realidade da alma humana, surge uma questão, já sugerida no meu último artigo "Diagnostic mundi" pela colunista Andreia Evaristo, que se destaca, apresentando a seguinte indagação: "E a literatura? É um grande reflexo das destruições modernas ou um instrumento de destruição?".
    Infelizmente, a resposta  a essa questão é a resposta para todo o meio artístico e cultual amparado pela grande cúpula ocidental: a arte tornou-se, ao mesmo tempo, espelho do caos e da imoralidade e instrumento de propaganda do marxismo cultural e das ideologias que, por natureza, são esquemas mentais que se abstêm dos símbolos essenciais a fim de reduzir a realidade a meros pacotes de caprichos partidários.
   Para responder, categoricamente, tal questão e esclarecer, também, qualquer dúvida a respeito da configuração literária atual, é preciso fazer uma abordagem geral do conceito de cultura e apontar como a perversão do significado de cultura empoderou a ação do moderno exército de Marx, Nietzsche e companhia ilimitada...
    Em primeira instância, a palavra cultura, utilizada atualmente, é empregada no viés da antropologia, tendo, pois, o sentido de que a substância cultural é o que reflete a forma de viver de um determinado povo. Aos olhos desatentos, tal assertiva é, definitivamente correta. No entanto, partindo dessa premissa, os jornais, que retratam os aproximados setenta mil homicídios por ano, no Brasil, seriam considerados cultura, pois revelam o modo violento de viver da sociedade brasileira.
Qualquer ato, portanto, diante da imparcialidade do antropólogo, pode ser considerado cultura.
   Em virtude disso, nota-se, como bem disse o filósofo e professor Olavo de Carvalho, que a cultura deve ser vista por meio dos ramos pedagógicos, isto é, a cultura são todos os valores e elementos que são bons e devem ser ensinados às outras gerações, de modo a auxiliar, sempre de maneira positiva, os próximos indivíduos a situarem-se no mundo e a internalizarem aquilo que os edifiquem moralmente, espiritualmente, intelectualmente e psicologicamente. No modo de pensar antropologista, a antropofagia realizada por certas tribos indígenas brasileiras, por exemplo,é uma marca inerente à cultura primitiva e não deve ser alterada. Já, no viés prático, real e pedagógico da questão, ninguém transmitiria às gerações futuras o hábito de matar e ingerir outro ser humano, pois é algo que não é passível de ser ensinado, visto que não é viável nem aceitável à moral e à alma humana.
    A visão multiculturalista, portanto, é, por natureza, equivocada, pois parte de premissas absurdas que, se seguidas pela maioria, fatalmente, culminariam num completo caos psicológico, social e espiritual. Quando, continuamente, afirmo que a cultura cristã, em particular a cultura e a própria estrutura católica, é a única e a verdadeira cultura, o faço, pois,a cultura cristã-católica abrange toda a realidade estrutural do ser humano e bem define todos os caminhos de pensamento que devem ser tomados, separando-os dos que, em primeira instância são heréticos e, em última instância levam os homens ao caos e à desumanização. A estrutura de enredo de um romance, por exemplo, é um espelho simples da santa filosofia Católica: a presença de um herói virtuoso e de um vilão cruel, a presença de uma personagem duvidosa e indecisa e os conflitos potenciais entre as forças boa e má são, na forma de um romance, um breve resumo da ortodoxia católica. Em verdade, toda a estrutura mental ocidental é fruto, conservação ou distorção dos ensinamentos católicos. O grande problema é, pois, o fato de todos os modernos serem hereges e o que agrava o problema é o orgulho de autodenominarem-se hereges.
    Não é causa de estranhamento, então, o fato de que quase todos os que se dizem escritores ou intelectuais serem analfabetos funcionais e propagadores da imoralidade. Há, nos modernos escritores, desde o século XIX, uma terrível loucura doentia que causa uma completa descrença e um absoluto desentendimento do bem e uma absoluta crença e conhecimento do mal. Podemos notar o fato em Ibsen, em Hegel, em Nietzsche e em quase todos os escritores brasileiros da atualidade. No século XXI, não há, apenas, a relativização da moral, o ateísmo militante ou o ceticismo, há, justamente, a completa inversão moral: o que é bom é tido como mau e desprezível e o que é, essencialmente, mau e destrutivo é tido como bom e saudável.
    As "grandes literaturas fumaça" são, factualmente, as literaturas atuais que, considerando-se boas, causam a intoxicação dos pulmões e, eminentemente, fomentam a morte. Para notar o que digo, basta o leitor analisar a temática das "grandes ficções" contemporâneas: a maioria compreende a erotização e a violência do enredo e das personagens. A problemática torna-se descomunal quando os devidos autores afirmam haver um certo senso estético nessas lamentabilíssimas narrativas. Há, justamente, o contrário: escrever um livro marcado pelo sangue e pela erotização é não somente anti-estético, mas também imoral e amoral. Há, por trás de todos os modernos, um odioso desprezo pela espiritualidade humana. Não é de espantar-se que boa parte dos autores-fumaça escrevem imensas mentiras sobre a Igreja Católica e portam um enorme arsenal de figurações sexuais para atacar o celibato, por exemplo. Quando vejo, neste site ao qual escrevo, inúmeras resenhas positivas sobre livros que são, essencialmente, uma tirania erótica e mortal da perversão, da mentira e do que é mau, vejo, infelizmente, nos meus contemporâneos, o reflexo daquilo contra o qual travo, diariamente, longas batalhas. A heresia maior está no fato de o homem cultuar o que é mau e, decididamente, combater o que é bom e tais crimes são pautados, injustamente, sobre a mentira de uma suposta liberdade.
    Os que enxergam o mundo, por meio da sexualidade, são tão doentios e tão loucos quanto aqueles que o enxergam, pelos olhos da economia. A "Revolução Cultural" de Gramsci pauta-se neste processo: transformar toda a consciência humana em um caos de loucura e crime. Todos os que, em suas literaturas, defendem a estética de um crime, de um assassinato, da erotização do sexo, da família e da infância são tão criminosos quanto os que matam, estupram e pervertem, pois, de uma forma ou de outra, defendem o indefensável e afirmam a beleza daquilo que é criminoso e, por conseguinte, contribuem para a propagação da violência, do caos, da desumanidade. O modernismo, portanto, é a maior e mais falsa "cultura" é, por essência, uma descultura, a descultura do negativo.
    O que fazer diante disso? Chesterton bem disse. Somente a ortodoxia é verdadeira. Restauremos, pois a ortodoxia, a santa ortodoxia, a verdadeira e universal cultura cristã-católica da qual deriva-se toda a estrutura ocidental.
    O maior problema do homem moderno é que ele é um herege e o maior problema de sua heresia é que ela é uma mentira trajada com as vestes da verdade e com as falsidades de uma liberdade revolucionária. Vivemos num período em que tanto se fala de liberdade e nada se entende e se vive de liberdade. Vivemos num período em que os escritores não sabem escrever, os políticos não sabem governar e os filósofos não sabem pensar. Os poucos homens bons que sabem alguma coisa são censurados e combatidos. Reinam-se o caos e a perversão, o relativismo e a inversão. Vivemos num mundo cuja doença tem um nome: a doença dos indivíduos-fumaça.
 

 
 

  

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