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15.9.16

Resenha - Bartleby, o escriturário: Uma história de Wall Street


Costuma-se pensar no Estados Unidos como uma grande indústria de pseudo-culturas que transforma as singularidades em mera mercadoria barata - Talvez até seja isso mesmo em sua maioria - mas, no meio deste deserto midiático, uma flor de lótus preferiu não fazer parte disto...

Bartleby, o escriturário, escrito pelo famoso Herman Melville, conhecido pelo seu grande romance Moby dick, é um achado literário de 1853, que retrata o realismo e a crítica à modernidade de forma espetacular. 

O conto é narrado pela ótica de um personagem (Um advogado que trabalhava numa sala em um prédio em Wall Street) que conta a curiosa não-história do misterioso Bartleby, um copista de aparência magra, que tem a calma e a eficiência como seus principais atributos no começo da história.

No decorrer do conto, o advogado sempre se indaga sobre quem é Bartleby, mas, assim como nós leitores, o que ele descobre é quase nada - Este próprio vazio de personalidade é essencial para dizer muito sobre o personagem e sobre o seu significado.

Certo dia, quando o narrador pede a Bartleby para revisar um documento, o rapaz simplesmente responde "Eu prefiro não fazer" e esta negação continua até o jovem não fazer completamente nada, transformando o personagem em uma espécie de móvel de tal escritório, indignando o narrador por vezes, mas fazendo-o ficar com certa aflição e compaixão.

A história se desencadeia até o extremo da desistência da humanidade por Bartleby, que justamente diz sobre a própria humanidade presente nele, transformando todas as suas ações - Conhecida como Síndrome de Bartleby - em uma presença real de sua subjetividade. 

A negação da vida copista, pragmática por assim dizer, é a única escapatória para o que lhe faz indivíduo. Esta indiferença é mostrada com um texto de escrita simples e não linear que traz atona sentimentos bastante infelizes e soturnos.

É a partir deste entendimento, de sua fria personalidade e existência, que compreende-se um significado um tanto obscuro e universal do texto: O apagamento do sujeito na atual sociedade. Melville abrande a crítica à organização da modernidade e aos seus sistemas que dissipam o querer individual e desbotam o que é real em cada um, tornando a realidade que cerca o conto um tanto fantasmagórica, num sentido de abandono individual.

Dessa forma, a leitura deste conto é essencial para nos tornar mais próximos com aquilo que somos realmente. Bartleby nos mostra que negar o que é objetivo por vezes se faz uma necessidade de cada espírito humano.

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