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7.9.16

Diagnostic mundi - A moderna visão de "liberdade" -

    


    "Para um doido, a sua loucura é coisa absolutamente prosaica, pela simples razão de que é absolutamente verdadeira. Um homem que se julga um frango é, aos próprios olhos, tão comum como um frango, da mesma forma que um homem que está convencido de que é um pedaço de vidro. É a homogeneidade da sua mente que o torna estúpido e faz dele um louco. É porque vemos a ironia da sua idéia que lhe achamos graça, e é porque ele não vê a ironia de sua idéia que o levaram para Hanwell" (G.K. Chesterton)
    Não há melhor maneira de iniciar a descrição das enfermidades pós-modernas do que citando o magnífico Chesterton. Para bem realizar uma profunda reflexão sobre as estruturas da realidade, partirei do pressuposto de que a maioria dos leitores já foi, ao menos uma vez, a um hospital a fim de receber um preciso diagnóstico sobre uma determinada patologia. Iniciemos, pois, às portas de uma grande clínica, no seio da humanidade.
    Há, inicialmente, um clássico exame que consiste em retornar alguns passados anos e apresentar à sociedade os sintomas. Para maior esclarecimento, imaginemos que seja apresentada a uma família, nos anos 30, uma telenovela com cenas de violentos assassinatos e explícitos adultérios. As reações seriam, majoritariamente, de reprovação, repulsa, censura, indignação e muitos apontariam a essência pecaminosa e perversa do conteúdo. Repetindo o mesmo processo para várias pessoas, o resultado seria, constantemente, o mesmo. Ao fazer esse inicial e conclusivo exame, pode-se, bem destacar, o que disse Chesterton sobre as pessoas sãs estranharem as ações dos lunáticos, dos loucos. O indivíduo que, naturalmente, possui uma enfermidade não tem consciência plena da gravidade de sua situação. É necessário que os bons olhos analisem os aspectos e apontem a problemática.
    Observando os resultados do nosso primeiro exame, podemos identificar um padrão nítido de moralidade e consciência de "bom e mau" nos indivíduos, o que, substancialmente, é inerente à religiosidade cristã católica dos indivíduos. Regressando-se continuamente na linha temporal, chegar-se-ia à época de Cristo, dos Santos Apóstolos e dos primeiros cristãos, em que seria, deveras, inviável a realização desse exame, já que as pessoas tinham tão fortemente, em si, a espiritualidade, a moralidade e o conceito de pecado, virtude, harmonia e Verdade e, por conseguinte, a própria anunciação da cena constituir-se-ia como um grave vilipêndio a Deus, à alma humana e à própria dignidade coletiva.
    Avançando, novamente, à pós-modernidade (cuja modernidade, por si só, implicou o caos intelectual e espiritual)  e  aplicando a mesma estratégia clínica, notaremos que boa parte dos indivíduos acham comum o conteúdo da cena e muitos outros aprovarão as ações desenvolvidas.
   Aos caros leitores que acham que, no presente momento, distancio-me do fato, digo que não faço aqui nenhuma invenção ou suposição. Constato, porém, o que diariamente ocorre em sociedade. Livros e filmes com conteúdo imoral, amoral e, essencialmente, antirreligiosos são veiculados e reverenciados pela grande massa do século XXI. Qual o louco que, ao seu ver, é comum, em sua lógica circular e detalhista, o mundo atual encontra-se em semelhante ou pior situação.
    Basta, apenas, uma pequena inteligência para notar que algo, deveras, patológico embebeu-se dos pensamentos humanos e tal patologia é, infelizmente, simples e geral e se baseia em quatro idéias, que são subversões das virtudes cristãs.


  • A moderna visão de "liberdade";
  • a ideia moderna do "amor";
  • o humanismo;
  • a simples visão "empática" da vida dos santos.


    Explicarei, pois, cada visão moderna, em seus pormenores, e as consequências sociais, psicológicas e espirituais advindas do exercício dessas quatro idéias.
   Quando ouço, rotineiramente, os indivíduos cultuarem uma liberdade singular, ponho-me a pensar e a refletir, significativamente, sobre a idéia que abarca essa mera paixão embalsamada em vontades individuais. O Livre Arbítrio é, essencialmente, a dádiva que Deus concede aos homens para o agir. No entanto, as ações, sendo realizadas pelos homens, constituem-se dentro da estrutura da realidade. Sendo a realidade sustentada pelo Ser absoluto de Deus, todas as coisas existentes e possibilidades de ações estão sustentadas pelo divino poder. Não se estranha, portanto, o fato de a liberdade constituir-se por uma fundamental limitação e a total submissão à vontade divina compreender o verdadeiro estado de libertação. A fundamental limitação que estrutura a conjuntura do Livre Arbítrio é a renúncia do pecado e da maldade, pois, se as ações são desempenhadas dentro do Ser, precisam ser, necessariamente, boas, já que Deus é o bem absoluto, infinito e eterno. Trata-se, pois, não de um dogma religioso, mas de uma verdade estrutural da realidade. O desejo moderno de liberdade, porém, baseia-se na simples e nefasta paixão de realizar ou cultuar o pecado sem nenhuma consequência ou dano moral, espiritual, físico e social. O querer fazer tudo é, ao contrário do que se pensa, uma escravidão, pois querendo-se fazer tudo, não se faz nada e toda a consciência entra no ilusório círculo do liberalismo.
    Decorre, pois, dessa deficiência moderna o seguinte problema: diante do fato de um homem sentir a obscura felicidade ao assassinar outo homem ou ao cometer adultério, as pessoas, ou negam a comunhão entre Deus e esse homem ou negam  a  existência de Deus. A "necessidade" moderna de ter "liberdade" potencializou, no homem moderno, o desejo pelo pecado. Em uma profunda angústia, advinda do medo humano de perder a alma e sofrer as penas eternas e infernais, os indivíduos passaram a negar a existência de Deus, pois negando a existência de Deus negariam, também, o funesto destino espiritual que haveriam de ter. As consequências, portanto, não poderiam ser piores. Em última instância, as sociedades passaram a negar o próprio pecado e apontá-lo como bom e como uma necessidade humana. Tal falaciosa e risível visão inicia-se com a (des)filosofia de Lutero que, em defesa de seus interesses particulares, afirmou que o homem deveria pecar quantas vezes quisesse, pois, mesmo assim, seria salvo. (Livro "Conversas à mesa", em que os próximos a Lutero relatavam o que ele costumava a dizer) A mesma visão perpassa grande parte do século XIX e todo o século XX, caracterizando a total inversão do conceito verdadeiro de liberdade e o contínuo processo de loucura (já apontado e descrito por Chesterton).
    Por conseguinte, o grande relativismo moral, cultural e religioso que abarca os tempos atuais é um grande reflexo das correntes de pensamento que, tenebrosamente, alastraram-se pelos quatro cantos do mundo, desde o "Renascimento Cultural". Desse tristíssimo viés perversivo nasceram as três vertentes de ateísmo que levaram a humanidade ao caos existencial: o ateísmo "positivista" de Auguste Comte, o ateísmo materialista de Karl Marx e o ateísmo prático e cultural de Antonio Gramsci. A primeira corrente de (des)pensamento configura-se como o culto à ciência. A simplista visão de um constante progresso, leva o homem a querer fazer um paraíso na Terra. Invertendo as bases estruturais da realidade, o homem substituiu a realidade de Deus e de seu infinito bem e amor pelo sistema "lógico" racionalista que culminou no funesto processo de desumanização da humanidade. A segunda corrente é o doentio comunismo que vê o mundo, somente, pela forma econômica, o que, por si só é indefensável. A terceira vertente ateística é fruto da Revolução Cultural de Gramsci, que já mencionei e expliquei em outras publicações. Essa terceira vertente compreende a maioria das pessoas, pois não é, explicitamente, atéia. Suas concepções de liberdade, plurirreligiosidade, liberalismo sexual e de um mero humanismo são, ao contrário do que se costuma pensar, a mais cruel ditadura da escravidão. A degeneração das consciências, a falta de parâmetro de bom ou mau, o intenso ódio à fé cristã e a completa ruína espiritual foram, de fato, as grandes consequências de um ateísmo que revela a paixão do homem a si mesmo, o culto do homem a seus próprios interesses e a vontade de fazer tudo o que se quer (a filosofia das vontades de Nietzsche mostra muito bem os fatos).
    O homem moderno nega o pecado, mas não nega a existência dos presídios e dos manicômios...

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

(Chesterton, G.K. , Ortodoxia, 1ªedição)

    Sobre a moralidade de Karl Marx

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2 comments :

  1. É inegável que, em nossa sociedade, dois temas recorrentes em filmes e livros figuram entre os mais vendidos: sexo e violência. Se juntarmos os dois, então, é quase garantia de sucesso, na certa, mesmo que o enredo seja fraco ou incompleto.
    Você tem toda razão em dizer que se passássemos uma cena de novela ou filme contemporâneo para qualquer cidadão de outros tempos, ele ficaria chocado. Mudaram os valores - e Gramsci, com sua teoria de marxismo cultural, tem tudo a ver com isso.
    Mas o problema vai além da mídia. Planos e propostas curriculares das secretarias de educação pelo país afora citam Gramsci e Marx como os teóricos norteadores de sua filosofia. E sabe o que é pior? Os professores ignoram quem eles sejam, ou referendam sua presença nas tais propostas (normalmente, referendam Marx e ignoram Gramsci).
    O relativismo moral é uma realidade. Não há como negar. Mas aí entra um novo questionamento: as artes são usadas para disseminar essas ideias, ou apenas as representam, já que elas estão impregnadas na sociedade?
    Excelente artigo.

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    1. Ótima pergunta, Andreia. Eu estava pensando, justamente, sobre isso... Em breve farei outra publicação, aprofundando a relação da arte com o pensamento neocomunista.

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