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22.9.16

As maravilhas de ler o livro Hannibal de Thomas Harris em comparação com seu filme dirigido por Ridley Scott.


“Os elementos mais estáveis, Clarice, aparecem no meio da tabela periódica, mais ou menos entre o ferro e a prata”. Essa é uma parte da carta que nosso canibal Hannibal Lecter, envia para sua amada Clarice, após um episódio que marcou a carreira da moça. Muitas pessoas sentem repulsa do personagem principal desse livro, que dá nome ao título, mas grande parte desses, provavelmente baseiam-se apenas nas impressões que tiveram após ver o filme de Ridley Scott. Para quem já leu o livro e assistiu ao filme, é possível terem notado uma vasta diferença entre pontos de vista.
O grande Thomas Harris, autor do livro, provavelmente conhece muito bem a mente humana, a ponto de induzir todos que leem sua obra, uma certa empatia com Hannibal e sendo assim, nos faz torcer por sua vitória na trama. Uma diferença marcante para com o filme, que nos faz querer vê-lo preso, ou até mesmo morto, por conta de todas as atrocidades cometidas por ele contra Mason, ou contra o policial na Itália, que queria ganhar a recompensa por sua captura e até mesmo contra o cigano, que pega suas digitais no início da trama.



No livro é muito mais evidenciado uma psicopatia de Mason Verger, percebida por Hannibal e castigada com a desfiguração de sua face, realizada pelo próprio milionário Verger, sob efeito de fortes alucinógenos, dados pelo psiquiatra canibal. No Martini com lágrimas de criança, preparado para o deformado dono do chiqueiro, já podemos criar uma enorme antipatia por ele, que rico, ainda é considerado filantropo por manter uma instituição que leva crianças carentes para passeios. Mas na realidade, essa instituição apenas contribui para elevar o grau de maldade do homem, que inclusive abusou sexualmente de sua própria irmã Margot. Na série Hannibal, em sua segunda temporada, essa psicopatia de Mason é evidenciada e retratada, como a causa real das atrocidades cometidas contra ele.



Uma das primeiras passagens da trama, mostra a agente especial Clarice Starling em uma operação que acabou com a morte de várias pessoas e que a faz perder seu prestígio conseguido ao encontrar o Búfalo Bill, maníaco do romance Silêncio dos Inocentes. Após esse incidente, ela é levada a investigar uma ligação de Mason, que diz ter informações sobre o paradeiro de Hannibal e logo depois, recebe uma carta de Lecter lamentando o ocorrido com ela e com frases de apoio para recompor sua moral. No filme, sua companheira de duplex Ardelia Mapp não aparece consolando-a, como no livro, aliás, sequer é mencionada, dando a sensação de que Clarice é uma pessoa solitária, fria e sem amigos, principalmente em sua visita a Mason, onde no filme, claramente é dito que ela não acredita em Deus.

No livro, o ambicioso e sagaz inspetor-chefe Rinaldo Pazzi, investiga o desaparecimento do curador do Palácio Capponi e conhece o Dr. Fell, homem tremendamente inteligente, de bom gosto e elegância singulares. Desconfiado sobre a verdadeira identidade desse curador, o investigador descobre, que na verdade ele pode ser o Dr. Lecter e que Mason, oferece uma boa recompensa para quem o capturar vivo e encaminhar para sua mansão, para que ele possa dá-lo de comida aos porcos, treinados por um mafioso italiano, para devorar carne humana.

Um fato relevante sobre a morte do inspetor, é que ela reproduz a morte de um de seus ancestrais, Francesco de Pazzi, no palácio de Vecchio e que essa, é uma história real de conspiração, na qual os irmãos Médici, que governavam a Itália, foram atacados e Juliano acabou falecendo, sendo que seu irmão Lourenço conseguiu sobreviver, condenando Francesco a pena de enforcamento no palácio. Outros conspiradores foram mortos pela multidão enfurecida, que apoiava a família Médici em seu governo.



Entre diversas diferenças, algumas sutis e outras bem aparentes entre as obras, está no final da trama, que no filme, é totalmente contrária ao final do livro e mostra quanto o autor Thomas Harris, gosta de nosso querido canibal.  Não contarei quais as diferenças, sequer citarei o que realmente acontece em cada um deles, para que todos possam ler com seus próprios olhos e tirarem suas conclusões, mas o que acontece com Mason, com Clarice e com o próprio Hannibal, são diferentes na tela e no papel, o que me fez gostar imensamente mais do final de Thomas ao de Scott.

Recomendo deveras essa leitura e digo mais, para quem gosta de livros como os de Dan Brown, cheios de informações históricas, com requintes de bom gosto e muitas patologias, que só quem pesquisa muito ou conhece sobre o assunto, podem descrever tão bem, vai adorar essa trama. Quanto ao filme de Scott, também é muito bom, mas não chega aos pés do quanto me impressionou o livro de Thomas Harris, que deixam o leitor se aproximar mais da cabeça do doutor Lecter e vivenciar outro ponto de vista, sobre a psicopatia de Hannibal.

Um pouco sobre Alessandro Bortoleto Rodrigues:


Bacharel em Desenho Industrial, com habilitação em projeto do produto e pós-graduado em Gerenciamento da Qualidade, possui um livro de ficção pós-apocalíptico lançado pela Chiado Editora, chamado O Terror Depois de Tudo, que em breve estará em todas as livrarias do Brasil e Portugal.

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