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2.8.16

DOIS IRMÃOS, UMA GUERRA

Dois irmãos, uma guerra -  Ben Elton 
Editora: Jangada 

Sinopse: “Dois Irmãos, Uma Guerra” é a história comovente de dois garotos nascidos em Berlim, em 1920 – um judeu e seu irmão adotivo ariano –, criados como gêmeos por pais judeu-alemães, à sombra do Nazismo. Mas, com a mudança do cenário político, eles acabam em lados opostos durante a Segunda Guerra Mundial – um fazendo parte da Waffen-SS e o outro, do exército britânico – e têm que se confrontar com uma escolha inimaginável, que mudará completamente o destino de ambos. Qual deles sobreviverá? Como irão enfrentar a terrível verdade oculta em seu passado? 

" - Eles têm um ao outro, Wolf. Esta é uma cidade difícil, em um mundo difícil. Mas, não importa quão duras as coisas se tornem, nossos garotos sempre terão um ao outro" 

 O livro divide-se em dois contextos, um, passado ao longo da segunda guerra mundial, e o outro, em 1956, sempre tendo em foque uma única história: os gêmeos Stengel. No primeiro cenário, mais comprido, conta o crescimento e desenvolvimento dos dois irmão que acreditam ser gêmeos, e como sua vida mudou de cabeça para baixo com o início da Guerra, pelo fato de virem de uma família judia; já o segundo cenário, mais misterioso, e com menos detalhes, nos mostra um dos gêmeos, que aparentemente é o único sobrevivente, vivendo em Londres, e a maneira como ele lida com toda a sua história.  

" Mesmo agora, não conseguia convencer-se de que estava seguro. Mesmo agora, uma parte dele esperava violência. " 

 Além da própria família Stengel, formada pelos gêmeos Otto e PaulusFrieda e Wolfgang, outras personagens muito importantes para o desenrolar dos acontecimentos são Dagmar, um garota judia, filha de um milionário de Berlim, paixão dos irmãos desde crianças, e Silke, uma comunista, filha da empregada da família, que cresce e logo vira amiga dos garotos. Vemos, ao passar das páginas - e dos anos -, como o amor - obsessão - que os irmão tem por Dargmar torna-se ponto fundamental na maneira como a guerra irá atingí-los. 

"Na noite anterior, sozinhos em seu quarto, Paulus e Otto fizeram um pacto. Juraram a si mesmos e um ao outro que, não importava o que acontecesse, não importava o que Hitler tentasse fazer com eles, iriam proteger Dagmar. " 

 Ao atingirem a adolescência, podemos ver como cada um dos gêmeos desenvolve-se e aceita a guerra de uma maneira, Otto sempre subversivo, totalmente furioso com o regime nazista, querendo tomar atitudes impensadas, enquanto Paulus apenas luta para estudar e tentar sair e ajudar seu país contra todas as injustiças que vêm sofrendo. Além disso, podemos perceber como o romance com Dagmar, que ao atingir cerca dos 13 anos, deixa de ser rica e a menina que conheceram, sempre feliz e esnobe, parece continuar sendo o ponto principal na vida dos dois, que competem para conseguir ser o escolhido por ela. Silke, por outro lado, vê sua vida mudar de cabeça para baixo quando a mãe se relaciona com um membro da SS, que a proíbe de ver seus queridos amigos, sendo forçada a vê-los escondida e com menos recorrência, sendo quase esquecida. 

"— Sim, bem, um dia você vai ter de escolher, você sabe — Paulus desabafou. — Você sabe que eu sempre lhe disse isso. 
— Sim. Isso é uma coisa com a qual ele e eu concordamos, Dags. Uma hora, você vai ter de escolher. " 

 A história nos permite conhecer cada um dos membros da família, tendo capítulos inteiros voltados à Wolfgang trabalhando como trompetista em um bar famoso, e à Frieda sendo modelo de um homem nazista, e depois, realizando o sonho de ser médica em uma clínica. 
 Chega um momento da história em que um dos irmãos descobre não ser judeu, após sair uma lei em que o histórico familiar de cada cidadão seria estudado para ver suas origens judaícas, obrigando-o a ir para o Napola – escola nazista que treina seus jovens à servir sua pátria. Apenas nesse instante descobrimos qual dos meninos foi adotado.  
 Já nas partes "presentes", vemos um dos irmãos, que também não sabemos quem é, uma vez que mudou o nome quando foi para a Inglaterra, em uma situação difícil, quando recebe uma carta supostamente de Dagmar, pedindo-lhe que o encontre na Berlim Oriental. Nesse momento, o serviço secreto inglês decide intervir, acreditando ser alguém que atrai o gêmeo para a cidade afim de tornar-se aliado da Rússia, já que a história passa-se durante a guerra fria. Stone, como é chamado nesse momento, passa a se questionar sobre quem poderia ser a pessoa que enviara-lhe a carta, chegando a pensar que possa ser outro familiar ou até mesmo Silke. 

"— Uma judia trabalhando para a Stasi nos sugere uma pessoa que trabalharia para qualquer um — a figura de Bogart observou, retomando seu tom de voz mais calmo, quase desinteressado —, e nos perguntamos, já que você está fazendo isso, se você gostaria de tentar convencê-la a trabalhar para nós. " 

 Vemos um adulto muito reservado, que, apesar de relacionar-se com uma garota anos mais jovem chamada Billie, não consegue falar de seu passado para ninguém, tornando-o extremamente solitário e triste. Nesses momentos da história, é fácil perceber como os sobreviventes desse terrível acontecimento se tornaram, se sentindo culpados por terem sobrevivido, presos a memórias e não se achando dignos de felicidade.  

" Stone sentiu sua raiva crescendo. Que direito aquele homenzinho presunçoso, com a boca cheia de biscoito amanteigado, tinha de julgar? Ele não estivera onde seu irmão tinha estado. Onde sua mãe e seu pai estiveram. E Dagmar. Mais uma vez, a culpa. " 

 Com o desenvolver geral da história, descobrimos qual dos meninos Stengel sobrevivera, e como isso aconteceu, e, ao final do livro, é esclarecido quem realmente chamou-o a Berlim, quem Dagmar escolhera como seu pretendente, e o motivo de tudo isso. É mostrado ao leitor qual foi o fim de cada um dos familiares e conhecidos do protagonista, mostrando cada um dos lados da história.  
 Foi, pessoalmente, uma das melhores histórias que li sobre a Segunda Guerra, que, apesar de não ser real, é baseada em fatos que aconteceram na família do autor, e mostra fielmente, e de uma maneira diferente, como aconteceu a transformação dos judeus de pessoas a nada na Alemanha. Todo o mistério que ronda a sobrevivência de um dos meninos também é um grande estimulante para continuar a leitura, uma vez que vemos indícios sempre contraditórios um com os outros, não sendo claro para nós qual deles é Stone, até o momento em que ele diz seu nome à Billie. O romance dos meninos também é muito bem construído, sendo sempre o palco para acontecimentos que remetem a fatos que realmente aconteceram, como a Noite dos Cristais.  
 Minha única ressalva em relação à história foi o seu desfecho, quando temos o encontro entre quem escreveu a carta e protagonista, talvez pela forma como isso destrói fatos que lemos anteriormente, aos quais passamos a acreditar, e em como Stengel reage à notícia.  
 Pra quem gosta de livros que retratam essa época, tenho certeza que não vai ser uma perda de tempo. A maneira como os pequenos acontecimentos são colocados nos mostram de uma forma muito diferente o que aconteceu quando Hitler tomou o poder, deixando a mensagem que não podemos esquecer como o ódio pode ser destrutivo. 
 
Nota: 4,5/5,0

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