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31.8.16

7 problemas de escritores iniciantes – ansiedade


Muito bem, você teve uma grande ideia durante o banho. Ou teve um sonho daqueles, que pode virar uma grande aventura. Ou teve um momento eureca! enquanto lavava a louça. Eu sei como é, amiguinho, eu também já tive um desses momentos. Conheço sua ansiedade em transformar todas essas cenas na sua cabeça em um livro cheinho de aventuras (quem sabe até um filme? uma série de tv?).

Acredito que boas ideias sempre darão um jeito de alçar grandes voos e alcançar os pontos mais altos das montanhas. Mas que tal evitar os principais problemas dos escritores iniciantes quando se trata de ansiedade?


  1. Poderia ler o início da minha história, por favor?



Eu sei o quanto é difícil mantermos nossa ideia só para nós. Afinal, tudo parece tão incrível, tão grandioso, tão precioso para ficar guardado somente conosco, não é mesmo? Eu sinto isso sempre que começo uma nova história: é como se os personagens gritassem em meus ouvidos que querem ser conhecidos.

Você quer saber se as cenas funcionam bem. Quer saber se sua história é boa o bastante para que alguém se interesse por ela: precisa de um termômetro alheio para medir se a qualidade do seu texto não é um delírio da febre que te pegou. Mas vamos com calma.

Muitas vezes, durante a escrita, a gente se depara com um problema aparentemente sem solução (principalmente se você for um escritor jardineiro). E, olha só, muitas vezes a solução consiste em voltar algumas páginas e acrescentar um conflito prévio que fortaleça seu personagem para resolver o problema-sem-solução.

Quer um exemplo?

Seu personagem acordou num cativeiro. Não há qualquer forma de se comunicar com alguém naquele lugar, com exceção de um telefone antigo, daqueles com um disco furado nos números para fazer a discagem ligação – mas ele está cadeado. Seu personagem tenta gritar, ninguém responde. Pega o telefone: a linha está ativa, mas, com o cadeado no disco, é impossível telefonar. Como resolver?

A solução poderia estar em usar o gancho – aquela parte móvel, que entra no aparelho quando pressionada – como um relê: uma batida equivale ao número 1; duas, ao número 2; três, ao número 3, e assim por diante. Mas, para saber disso, em algum momento anterior, seu personagem precisa ter tido acesso a essa informação – e MAIS: precisa ter aprendido a usar essa tecnologia antiga. Caso contrário, isso não fará sentido.

O caso é que, muitas vezes, a solução só surge quando o problema surge na história. Isto é, o escritor vai precisar reescrever capítulos anteriores. Mas se alguém já estiver lendo sua história, como é que fica? “Ô, amigo, faz um favorzinho: releia o capítulo 3 que eu inseri uma cena nova.” Seu amigo pode até reler, mas se perceber que foi inserida uma cena sobre o telefone antigo, vai matar a charada de que se trata de um elemento vinculado para resolver um problema.


  1. Wattpad pra que te quero!



Aqui está o mesmo escritor ansioso do item 1: ele tem pressa em saber se sua história funciona, mas não se contenta em pedir auxílio a um amigo. Então, ele começa a disponibilizar, capítulo por capítulo, seu livro numa plataforma gratuita (eu citei o Wattpad, mas existem outras).

Eu, particularmente, acho as plataformas de autopublicação gratuitas ótimas para quem quer conseguir leitores, conseguir uma certa visibilidade, antes de tentar contato com uma editora. No caso específico do Wattpad, acho bacana o fato de que os leitores podem interagir com o escritor: é possível selecionar trechos e comentar, o que serve realmente de termômetro para sentir o calor da sua história.

Mas – e sempre tem um mas – ao colocar sua história não-finalizada nessas plataformas, além do risco de precisar modificar algum capítulo prévio já publicado, você corre o risco de ter seu trabalho plagiado sem qualquer chance de recorrer à justiça.

Sempre que for colocar seu trabalho à disposição do público, tome o cuidado de registrá-lo antes: é simples, barato e relativamente rápido. Mas, para registrar um livro na Biblioteca Nacional, seu livro precisa estar pronto. Não é permitido registrar uma ideia, apenas um livro terminado (claro, é possível averbar modificações depois, mas, ainda assim, a primeira versão precisa estar terminada).

 
  1. Comecei minha história ontem... O que você acha dessa capa?



Querer ver seu sonho materializado em suas mãos passa, eu sei, pelo produto final: um livro todinho pronto, diagramado, no tamanho certo, com capa e tudo. Não é que isso seja errado, mas tem muito escritor que perde meses dias horas criando uma capa, com muito esforço (porque nem é a praia dele esses lances de computação gráfica e design), em vez de perder o mesmo tempo elaborando a história, escrevendo, reescrevendo ou estudando.

É ótimo ver sua capa prontinha. Dá uma satisfação danada. Mas a capa não deveria ser uma das últimas preocupações do escritor no momento da escrita? Até porque, se você conseguir uma editora que banque o seu trabalho, ela dispõe de profissionais capistas que farão o trabalho para você.


  1. Que tal essa sinopse?



O problema em escrever (e enviar) a sinopse antes de terminar seu livro é o mesmo de pedir que alguém o leia antes de terminar: e se sua história acabar tomando um novo rumo?

Conheço muitas pessoas que escreveram um livro inteiro (ou até mais de um da mesma série) e, depois de um tempo adormecido, resolveram reler o livro e reescrevê-lo todinho. O caso é que o novo livro é apenas uma imagem bem desfocada do que era o primeiro, ou seja, muito pouco se manteve.

Vou voltar a bater na tecla: escreva sua história toda, depois pense nos adendos (capa, ilustração, sinopse...). Se sua história nunca ficar pronta, esses adendos não servirão para nada.


  1. Como eu faço pra conseguir uma editora?



Acho importante que você conheça o mercado literário. Afinal, todo mundo que se dedica a escrever e sonha em se tornar profissional precisa aprender sobre o meio do qual pretende sobreviver. Contudo, a preocupação com a editora só deve surgir depois que sua história estiver pronta.

De que adianta você conseguir uma lista de contatos de editoras que estejam aceitando originais hoje se sua história só ficar pronta daqui a seis meses? Nem sempre as editoras recebem originais a qualquer momento.


  1. Mandei meus originais há um mês pra uma editora, mas ainda não obtive resposta. Fui rejeitado?



Calma, amiguinho, muita calma nessa hora.

As editoras têm políticas diferentes com relação ao recebimento dos originais.

Algumas lançam editais, com prazos específicos: só recebem originais dentro do período que determinam e não chegam a analisar os que forem enviados fora do prazo. Nesse caso, se você não se atentou ao prazo de envio e não obteve resposta, provavelmente é um não.

Já outras editoras recebem originais a qualquer momento. Dessas, algumas possuem uma pessoa específica para a triagem do material recebido; outras, não. Por isso, os prazos para resposta do original podem variar muito.

Normalmente, editoras que trabalham com co-participação do autor (a editora paga uma parte da publicação e o escritor paga outra parte) respondem mais rapidamente. Já cheguei a receber uma resposta em menos de 24 horas. Já editoras que bancam toda a publicação demoram um pouco mais na seleção, podendo levar seis meses a um ano para responder: mais do que isso, acho que você pode considerar um não (o mesmo se aplica ao tamanho da editora: quanto maior e mais conhecida, mais demora para responder).


  1. Comecei a escrever meu livro, mas a história poderia dar um ótimo filme. Que tal eu escrever o roteiro junto?



Acredito muito em histórias que possuem um vínculo muito próximo e forte com os áudio-visuais. Mas, mais uma vez, vou insistir: termine primeiro sua história. Depois, registre-a. A seguir, envie para leitores beta (seus primeiros leitores, aqueles que lhe darão um feedback sobre a história, o que funcionou, o que não funcionou, onde melhorar...). Faça a revisão. Depois, vá atrás de publicação (seja ela de forma mais tradicional ou via autopublicação). Se a coisa engrenar, se fizer sucesso, aí é possível pensar em cinema e tv. Um passo de cada vez, que tal?

Outra forma é pensar em fazer diretamente um roteiro de áudio-visual. Se você acredita, mesmo, que sua história dá um filme melhor que um livro, por que não arriscar? Eu, sinceramente, entendo muito pouco do mercado de áudio-visual, mas há produções independentes muito interessantes no país (e há um povo inteligente vivendo disso). Se há um sonho, ele é possível – eu acredito nisso.

Muito bem, esses são apenas sete dos tantos problemas que os escritores iniciantes enfrentam – ou, talvez, nem sempre tão problemas assim. Mas controlar a ansiedade é uma das ferramentas para conseguir manter um bom ritmo de escrita: pense nisso.


E você, que outros problemas relacionados à ansiedade já enfrentou na sua vida de escritor? Como conseguiu resolvê-los? Vamos trocar uma ideia: deixe sua resposta aqui nos comentários.



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2 comments :

  1. Muito pertinente! Esse site está cada vez melhor ��

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    1. Obrigada, Bill.
      Sim, team Armada arrasando nos posts. ;)

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