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9.8.16

18 ANOS DE SOLIDÃO

18 Anos de solidão - Ricardo Tagliaferro

Sinopse: Uma morte, um mistério, uma saudade. 18 ano de solidão dá continuidade a "100 cartas de uma saudade" e conta a vida de Manoella depois que Lincoln se for, explica os atos que a induziram a cometer o maior erro de sua vida e nos mostra uma mistura de medo, solidão e egoísmo que destruiu a vida de duas pessoas. Mostra que nem todos nascem para amar e que alguns amores podem ser destrutivos.

 O livro, passasse, como já indica o título, em um período de 18 anos, sendo eles organizados em forma de um diário, escrito por Manoella, que separa as escritas por datas. Não me lembro de já ter lido algum tipo de romance nesse estilo, e isso me agradou de muitas formas, uma vez que mostra com realidade o que a personagem está pensando e passando, apesar de pecar pela unilateralidade que, pessoalmente, não me alegra muito, pelo fato de não saber como funcionam os outros personagens.
 Temos como personagem centrais da trama, além de Manoella e o falecido Lincoln, sua irmã Ananda, e um amigo de seu ex-noivo, Marcos. Enquanto Ananda se mostra uma pessoa que passa por muitas mudanças em sua vida, causadas por sua gravidez não bem aceita pelo marido, Marcos é o tipo de homem que se faz vingativo, culpando a protagonista pela morte do melhor amigo, e sempre deixando claro a ela o quanto sua existência é desprezível por todos. Outros personagens, menos importantes, como seus pais e os pais de Lincoln, fazem pequenas participações, mas sem tanta relevância em um contexto geral.
 Falando sobre a própria narradora do livro, temos uma mulher que, no início do texto, mostra-se jovem de corpo, mas velha de alma, que, com o passar dos anos não consegue superar a perda do amor de sua vida, sempre se lamentando e nos mostrando como sua vida não tem sentido sem tê-lo ao seu lado, chegando a ser cansativo em algumas partes, tamanha a repetição; mas é algo que se mostra necessário para a conclusão da história chegar aonde chega.
 Outra parte muito explorada pelo autor é a história da cidade que se passa a história, situada no sul do Brasil, que mostra sua preocupação com o local mostrando diversos fatos sobre a cultura local, as festas, músicas e costumes dos sulistas; preciso dizer que a escrita consegue acompanhar muito bem, ao meu ver, o tipo de fala, inclusive.
 Foi um livro que me emocionou em certas partes, mostrando um pouco desse sofrimento, e conseguindo transmiti-lo em certos trechos; deixo minha ressalva sobre o fato de ter achado o texto um pouco corrido, e, por isso, não ter conseguido transparecer toda a dor que Manoella parece realmente sentir. Outro fato que me chamou a atenção foi a construção dos personagens, apesar de ser muito bem feita e cuidadosa, em algumas formas se mostrou um pouco forçada, como o fato de a família não dar nenhum tipo de apoio à perda da protagonista, mostrando uma indiferença muito grande, e sem necessidade, nesse ponto. Por último, gostaria de dizer sobre o desfecho totalmente inesperado que o autor escolheu deixar, que me pareceu realmente apropriado, dado tudo o que se passa durante a história, e que não me decepcionou em nenhum momento.

Nota: 3,5/5,0

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