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21.7.16

Uma questão de nacionalismo: Todo escritor deve escrever sobre o país em que nasceu?


Nas redes sociais, revistas literárias, canais de literatura no youtube; dentre tantos outros meios de comunicação, vemos autores mais "conservadores" atacando fervorosamente a nova geração de escritores que tem crescido e tomando seu lugar no cenário literário no Brasil, desmerecendo-os de uma tal maneira que chega até ser fanatismo. 

E tudo isso deve-se a um simples fato: Muitos escritores tem optado por não escreverem sobre o Brasil, mas sim sobre outros países ou até mesmo criar seus próprios mundos, coisa que muito desagrada o pessoal mais acadêmico e ufanista, fazendo surgir as críticas sem ao menos ter lido a obra em questão.

Isso gera um fato que é triste; deixando-se levar por essas críticas, muitos novatos com muito talento desistem de seu livro, partindo de que esses "intelectuais" são mais experientes no campo da literatura e por isso são considerados "detentores da razão". E então, sem mais autores para termos orgulho de chamar de nosso e vivendo em um país que tem índices baiximos de leitura, deixa a situação mais estagnada. 

Porém, neste texto que aos olhos de muitos vai parecer antipatriotismo mas não é, irei falar para você, querido leitor e escritor, para que não se deixe levar por esse tipo de situação e deixe sua imaginação fluir na hora de escrever. 

Porque não é pecado escrever sobre outros países. 

Como aprendemos na escola, estudando loucamente para o bendito vestibular, vemos que o Brasil teve seus grandes nomes da literatura no Brasil foram da época do Romantismo até o modernismo que escreviam temáticas voltadas para o povo brasileiro, como escravos e índios. Porém o tempo passou, e ao invés da roda girar, muitos escritores ficaram presos a isso até hoje, mesmo que a parcela seja pequena. 

Porém as coisas começaram a mudar quando os best sellers, como Harry Potter e Game of Thrones, chegaram ao nosso país. Inspirados por bruxos, criaturas fantásticas e mundos mágicos, a nova geração tem se inspirado mais nesse tipo de temática. E muitas vezes, por serem baseadas em lugares estrangeiros ou exigisr a criação de um lugar novo, mutos autores veêm-se em uma situação que não dá para usar o Brasil ou o país em que nasceu para sua narrativa fluir sem problemas.

Não que eu estou querendo dizer que não há mais autores brasileiros que escrevem sobre o Brasil. Muito pelo contrário, até tempos atrás li uma ficção científica que se passava em nosso solo, e nem mesmo autores estrangeiros escrevem unicamente sobre o lugar em que nasceram. Só digo que um escritor, como alguém que depende da criatividade e de um conjunto de fatores para fazer um livro correr bem, não pode ficar se trancando em algo em que não se sente confortável para escrever.

Concluindo: 

Agora, sem mais delongas, não sinta-se desconfortável se você quer escrever sobre algo que não é de teor nacionalista. Muitos dizem que isso não terá resultados bons porque não conhecemos outros lugares além do nosso, porém é para isso que existe pesquisa. Até mesmo para escrever sobre os Guaranís precisaríamos de pesquisa, pois apesar de ser uma cultura nacional, não convivemos com ela.

Por isso, caro leitor e escritor, sinta-se a vontade para escrever o que sua imaginação exigir. Se quiser escrever sobre um índio brasileiro, a Alemanha Nazista ou até mesmo um mundo que não exista, faça sem medo, pois o primeiro leitor que deve gostar da sua história é você mesmo, e lembre-se de a única coisa que um escritor deve fazer é a sua história. Críticas, elogios e legiões de fãs ou odiadores serão apenas consequência. 

Algo que o Brasil realmente precisa não são escritores de palavriados rebuscados e temáticas difíceis como os acadêmicos pregam, pois não adianta nada fazer uma obra ufanista que será lida por poucas pessoas. O que o nosso país precisa de verdade são escritores que façam a roda da literatura girar, estimulando a leitura de autores nacionais não só aqui, mas no mundo todo.

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8 comments :

  1. Poxa, Isa! Esse seu texto me arrancou lágrimas ao final. Impecável a forma como abordou o assunto. Parabéns!

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  2. O escritor precisa de liberdade criativa, é claro. Porém, é preciso olhar por um outro lado, que é de se admitir. Brasileiro paga muito pau para gringo. Sério. E o que mais me incomoda nisso tudo são os nomes, a mentalidade infantil de achar que Jon soa melhor que João, que nomes estrangeiros são melhores. Cara, vi um livro outra vez, de uma autora brasileira, com o título em inglês. E não era trocadilho, nem questão de estilo, era porque ela achava mais legal, simplesmente porque era inglês. A questão de valorizar, não só o país, mas a cultura é importante, por mais que o mundo seja globalizado. E acima de tudo, valorizar a língua, a nossa preciosa língua. Foi-se o tempo onde escritores criavam suas obras em honra ao seu país. Entenda que não é algo que se obriga, nem filtro para um julgamento, mas simplesmente questão de honra. A honra que Antônio Gonsalves Teixeira e Souza teve para com o Brasil, com a sua Epopeia por excelência: A Independência do Brasil. O mesmo com Camões, com Os Lusíadas, e o mesmo com o grande Tolkien, com toda sua mitologia criada, em honra à Inglaterra, vendo o autor que seu país não possuía alguma, tratou de criar.

    Não é preconceito, embora eu não tenha isso como uma qualidade, mas, quando eu pego um livro brasileiro, onde os personagens se chamam David, em vez de Davi, ou George, Brian, Tyler, etc, eu abandono na hora, ainda mais se a história for passada no Brasil, totalmente repugnante. E por mais que haja aquelas histórias onde o autor inventa uma desculpinha para implantar essas coisas, como intercâmbio, ou viagem, sei lá, ainda assim, soa meio esfarrapado.

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    1. Então Felipe, entendo perfeitamente seu ponto de vista, pois mistureba e complexo de gringo é algo chato mesmo. Mas também existe muitos escritores nacionais que escrevem sobre outros locais e ficam bons. O Brasil precisa motivar mais seus escritores novos para poder criar uma marca brasileira no estrageiro, coisa que percebo que não acontece.

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  3. Acho que se for para colocar nomes que não existem, ou não são da nossa lingua, pelo menos siga as normas da ortografia e da fala, porque se não, em vez de pronunciar David como Deividi, eu vou continuar pronunciando, já que A tem som de A, e acabou.

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  4. Vale a pena conferir a palestra da escritora Chimamanda Adichie, no TED, sobre "o perigo da história única". Contribui bastante ao debate ^^

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  5. Eu acredito que escrever sobre o Brasil, com patriotismo, é que escrever pra viado: A pessoa se preocupa tanto em retratar algo que não precisa ser retratado que se sente tolhida em escrever. A J.K Howling, não escreveu sobre a inglaterra, ela simplesmente escreveu uma historia e incluiu elementos de lá. Vejo pessoas perguntando como seria escrever para o publico gay. Simples. Escreva uma historia normal e pronto. O mesmo vale aqui. O Brasil é rico e muito mais vasto em mitologias do que outros países. A inglaterra por exmeplo é pequena e ela carece de mitologia propria pegando emprestado de outros lugares. Nos temos muuuito o que falar, mas sempre jogamos nossa a tenção ao "indio", ao "mameluco" ao sei lá mais o que como se SÓ ISSO existisse. O Brasil é um país que foi formado por vários imigrantes de diversas partes do mundo. Aqui também tem vampiros, lobisomens, duendes (o saci não é brasileiro, por exemplo). Os gringos costumam dar nova cara aos personagens para que eles vendam. Thor por exmeplo, nos filmes é um loiro lindo surfistinha, ms o original é um senhor de 40 anos, ruivo, seminu. Com certeza ele não venderia nada, logo colocaram um cara lindo, loiro com cara de "como-todas". Porque não fazer o mesmo com os nossos? Nos limitamos a mediocridade intelectual e saimos dizendo que não temos cultura. Nossa mente está massificada com a cultura extrangeira de diversas partes do mundo, não sabendo nós que a nossa cultura também vem deles juntamente com o que restou da original daqui. Então, findando a minha verborragia (kkk), da pra escrever sim até sobre historias de fantasia aqui, pegando um pouco da variedade seja ela genuina brasileira, seja ela pega do imigrande. É so ter criatividade ao invés de insistir no "paco", no "indio sei lá que merda" e etc. Até porque a cultura genuina brasileira foi morta ha muuuuuuuuuito tempo e temos o resquício de poucos povos que conseguiram resgatar seus mitos. Não sei se as pessoas sabem, mas não existe índio (esse termo é errado) e... existiam diversos povos e mitologias aqui (não era um amontoado de pele vermelha, ao estilo "tudo a mesma bosta", não). Então essa de todo personagem ter que se chamar pé de pato, indio curupira ou etc é generalismo. Eu procuro sempre misturar, modificar e deixar palatável. O Trasgo mesmo é Portugues, não é ingles, e nem por isso deixou de aparecer em Harry Potter.

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