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26.7.16

O ESPADACHIM DE CARVÃO

O espadachim de carvão - Affonso Solano 

Editora: Leya 


Sinopse: Kurgala é um mundo abandonado por Quatro Deuses. Adapak é filho de um deles. E hoje ele está sendo caçado. Perseguido por um misterioso grupo de assassinos, o jovem de pele cor de carvão se vê obrigado a deixar a ilha sagrada onde cresceu e a desbravar um mundo hostil e repleto de criaturas exóticas. Munido de uma sabedoria ímpar, mas dotado de uma inocência rara, ele agora precisará colocar em prática todo o conhecimento que adquiriu em seu isolamento para descobrir quem são seus inimigos. Mesmo que isso possa comprometer alguns dos segredos mais antigos de Kurgala. 

"Ikibur" 

 Começamos o livro com o narrador/protagonista em apuros. De início, não há explicações sobre o que está acontecendo, e nós acompanhados, junto ao personagem, a aventura que segue durante as páginas que se passam. A estratégia do autor é, basicamente, ir te explicando aos poucos cada um dos mistérios que rodeiam a vida de Adapak – o próprio espadachim de carvão -, que transforma tudo em uma grande aventura para o leitor. 

 Um fato importante no livro é que existem várias espécies que coexistem na Terra – ou, como é chamado, Kurgala -, tendo cada uma delas uma característica que os definem e os separam. Percebemos logo nas primeiras páginas que não podemos "classificar" o protagonista em nenhuma das espécies existem, e que isso é um problema para todos, uma vez que muitos o acham um feiticeiro ou algo do tipo. Outra coisa é que nesse universo, acreditam-se em quatro deuses – Os Quatro que são Um -, e isso é citado diversas vezes, em todo a crença neles é forte, como são os rituais e qual a sua ligação com a origem do mundo. 

“No princípio, Kurgala era mar, e os espíritos de Abzuku e Tiamatu eram seus Senhores. E nada mais além Deles existia, pois assim Eles desejavam. E então Os Quatro Que São Um desceram, e Seus nomes eram: Anu’ När, o Artesão; Enlil’ När, o Viajante; Enki’ När, a Voz e Nintu’ När, a Lança.”  

 Com o desenvolvimento da história, vemos o passado do Espadachim, que descobrimos ter passado quase a sua vida inteira dentro de uma caverna, apenas com seu pai e visitas esporádicas de seu mentorTelalec. A história nos mostra como o personagem é culto de várias formas teóricas, mas como é difícil para ele ver tudo isso aplicado à vida real, tornando-o, muitas vezes, um jovem muito ingênuo – por exemplo, existem situações em que mostra que o dinheiro é desconhecido para ele, e até mesmo onde ficam os lugares.  

"– ... Eu o julguei por algo que não me cabia julgar; você é um homem bom e eu não tenho o direito d...  
– Pelo amor dos Quatro, ninguém é “bom”, parceiro, acorde. Por onde você esteve nos últimos ciclos, em uma caverna?! 
Adapak não pôde conter o sorriso. 
– É, ria mesmo, parceiro – o humano prosseguiu, visivelmente irritado. – Acha que o deboche vai te salvar da próxima vez que alguém te passar a perna?" 

 As partes de ação se destacam ao decorrer da leitura, e nos fazem sentir quase participante da mesma; o método de luta de Adapak é chamado de Círculos, e aparentemente ele consegue ver, através de círculos, o que ele tem que fazer a seguir, usando as suas duas espadas irmãs, Igi e Sumi. O dom dele vem através de seu mentor, e, devido a forma como ele obteve o ensinamento, ele pode ouvir a voz do mesmo aconselhando-o o tempo todo; essas partes chegam a dar nervoso, a maneira como foi escrita mostra exatamente como ele se sente pressionado em algumas situações. 

"Arfando, o espadachim se virou para encarar os inimigos. Os Círculos surgiram em sua mente, se preparando para os cálculos. 
Comece." 

 Conhecemos muitos personagens, e acabamos nos afeiçoando a alguns, como Sirara, a capitã de um nau; outros, como N’ashic, fazem parte daqueles que você toma raiva assim que ele é citado pela primeira vez.  

"– Bosta. Não vou deixá-lo fazer isso sozinho, garoto. 
– Sirara, eu já disse que... 
– Cale a boca e me escute " 

 A história toda se desenvolve sobre seres que perseguem o protagonista aonde quer que ele esteja, por mais que ele se esconda, e o mistério sobre que motiva isso tudo. Com o passar das páginas, ficamos cada vez mais curiosos sobre o que está acontecendo, e, ao final, temos um fim totalmente extasiados.  
 Apesar de ter ficado muito confusa sobre as diversas espécies, e os seus nomes, e em qual cada personagens que é citado se encaixa, isso não faz com que a história seja prejudicada. A história te envolve com todo o seu mistério, e com os acontecimentos não são passados todos de uma única vez, existe uma curiosidade crescente a cada página que é lida. Seja o motivo pelo qual ele é perseguido, quem são as pessoas do seu passado ou qual a sua origem, você fica querendo acabar a leitura para que tudo seja esclarecido. Outra questão é como foram bem desenvolvidas as características do universo, de cada espécie que é citada e até mesmo da religião que os envolve, mostrando um grande trabalho do autor. Affonso Solano conseguiu nos levar até Kurgala, nos fazer participar da história e querer permanecer por lá.  
 Claramente existem questões que são muito parecidas com a nessa realidade, sendo o preconceito, a corrupção, a ganância e a questão da crença cega algumas das principais semelhanças visíveis no texto. Se você gosta de aventura e ação, e quer ler algo totalmente diferente, esse livro não vai te decepcionar. 

Nota: 4,5/5,0 

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