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5.7.16

Ele está de volta

Ele está de volta – Timur Vermes
Editora: Intrínseca

Sinopse: Berlim, 2011. Adolf Hitler acorda num terreno baldio. Vivo. As coisas mudaram: não há mais Eva Braun, nem partido nazista, nem guerra. Hitler mal pode identificar sua amada pátria, infestada de imigrantes e governada por uma mulher. As pessoas, claro, o reconhecem — como um imitador talentoso que se recusa a sair do personagem. Até que o impensável acontece: o discurso de Hitler torna-se um viral, um campeão de audiência no YouTube, ele ganha o próprio programa de televisão e todos querem ouvi-lo. Tudo isso enquanto tenta convencer as pessoas de que sim, ele é realmente quem diz ser, e, sim, ele quer mesmo dizer o que está dizendo. Ele está de volta é uma sátira mordaz sobre a sociedade contemporânea governada pela mídia. Uma história bizarramente inteligente, bizarramente engraçada e bizarramente plausível contada pela perspectiva de um personagem repulsivo, carismático e até mesmo ridículo, mas indiscutivelmente marcante.


"Eu me lembro do momento em que acordei, devia ser início da tarde. Ao abrir os olhos, vi o céu acima de mim. Estava azul, com poucas nuvens, clima ameno [...]"

No ano de 2011, o maior genocida do século XX aparece perdido em um terreno baldio, sem entender o que aconteceu. Vemos, ali, um Hitler perdido e sujo, sem quaisquer perspectivas de respostas para suas dúvidas, não fosse seu estranho encontro com o dono de uma banca, alguém aparentemente normal, mas que se torna responsável por tudo o que se desenrola no decorrer do livro.

" — Não tem a ver só com o uniforme… — E tem a ver com o quê, então? — Ele fede."

Com seu uniforme militar, o nazista se torna rapidamente uma pessoa "famosa". Chamando a atenção de empresários da mídia televisiva, que acreditam se tratar de um imitador do mesmo, uma sátira da década de 40, que faria uma crítica a tudo o que aconteceu na época. A cada momento em que o ditador tenta dizer que ele é quem dizem imitar, os ouvintes levam como brincadeira e entendem como atuação.

" Aqui — e apenas aqui! —, o alemão faz piadas sobre os alemães, o turco faz piadas sobre os turcos. O rato doméstico faz piadas sobre o rato doméstico e o rato campestre, sobre o rato campestre. Isso precisa mudar e isso mudará. "

Vemos como a modernidade e todo o tipo de avanço é estranho ao personagem, que usa diversas justificativas mirabolantes para falar sobre aquelas coisas que ele não conhece. O mais estranho é que, ao conversar sobre essas coisas com os outros, ninguém acha esquisito seu desconhecimento sobre os fatos, as vezes coisas muito simples. Da mesma forma como ele se adapta rapidamente com algumas novidades, outras permanecem sem explicação para ele. Mas, ao passo em que ele fala sobre essas mudanças, conseguimos perceber uma série de críticas sobre o nosso modo de vida, algumas delas sendo consideradas normais por nós.

"Era o que me faltava, ficar datilografando como um jornalista de sensacionalismo qualquer em um jornaleco local, mas então veio essa maravilha tecnológica do espírito criador alemão; então veio o mouse. "

Sua fama aumenta independente do que fala, sendo considerado um grande humorista, não só por aqueles que o contrataram, mas pelo público em geral. Aparentemente, poucos se importam com o fato de ele expor claramente ideais sobre raças na televisão. O desfecho, inclusive, ocorre porque, apesar de uma parcela não apoiar o que ele fala a maioria esmagadora o aplaude em pé.

"Fui recebido com aplausos entusiasmados. A cada programa achava mais fácil entrar no palco. "

Se, por um lado, vemos uma forte pesquisa histórica, ele é totalmente desconstruída pelo próprio protagonista, que desmente e cita uma série de coisas, as vezes confusas. Outro erro é a forte referência a itens, ruas e ícones alemães, muitas vezes desconhecida pelos brasileiros. Outro fato é a falta de investimento na oratória de Hitler no dia a dia, que se torna uma pessoa extremamente reflexiva na maior parte do livro, fazendo a leitura muito maçante e cansativa. Em contrapartida, o autor tenta nos passar como o discurso pode influenciar as pessoas, mesmo se tratando de algo totalmente repulsivo - como é o caso do nazismo -, e a maneira como o interlocutor pode fazer as pessoas concordarem e darem apoio sem saberem que o estão fazendo. Em uma ideia parecida com o livro A Onda (Toddy Strasser), essa história tenta nos mostrar o poder da mídia e das próprias pessoas sobre o público, e como podemos ser levados a tomar uma série de atitudes – as vezes ruins, ou que nós consideramos absurdas – sem percebermos.

Nota: 3,5/5,0

Apenas fazendo um adendo, gostaria de ressaltar e indicar o filme, que consegue transferir toda essa ideia sobre o ideal e a importância que a oratória tem nos discursos em geral, mesmo que a obra não siga todos os passos do livro.

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2 comments :

  1. Este livro está na minha lista desde que assisti o filme! Ache excelente o filme, vou começar o livro!

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    1. Ele é muito bom depois que conseguimos entender toda a crítica por trás.

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